sábado, 4 de fevereiro de 2012

O LUGAR DO AUTOR: TOM E A PENÍNSULA


Igrejas, o mar e a areia: personagens peninsulares de vida própria.


Não faz tanto tempo assim, mas lembro da sensação que eu tinha de conhecer todo mundo em Itapagipe. Podia ser na volta do colégio – eu, franzino, inseguro e míope –, caminhando pela pacata avenida Beira Mar ou tempos depois, no meio da turma do futebol que se juntava como fanáticos xiitas nas manhãs de domingo na praia do Bogari. Dizem haver uma eterna relação umbilical entre os nascidos na Península, que levam consigo mundo afora as melhores lembranças do lugar. Talvez seja verdade. Volta e meia revejo saltos da ponte do Crush, tardes de violão no Humaitá, os babas noturnos no Largo do Papagaio. Outro dia, passando pela Madragoa, encontrei um xiita do Bogari, antigo parceiro de tabelinhas e lançamentos na areia. Acenei com alguma animação, mas não obtive resposta. Ele não me reconheceu; eu não lembrava mais seu nome. Somente a praça permanecia mais ou menos a mesma. (Tom Correia)

Foto: Nilton Souza

Um comentário:

editor disse...

Tom,
triste destino esse nosso que nos obriga à viver como estrangeiro entre aqueles que há algum tempo eram os nossos mais íntimos parceiros de dribles e lançamentos nos babas sob a ponte. Já vivi isso, às vezes ainda vivo. O lugar é Anajé, o rio e o Gavião, e os antigos colegas já não têm nomes. Fiquei encantado com esse texto. O que me leva a crer que, ainda que um só exemplar de As baianas não fosse vendido a empreitada já teria valido a pena!
Abraços,
rosel