quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

COMENTÁRIO DO LEITOR


A fila para colher o autógrafo d'As baianas. Os escritores Gláucia Lemos e Ruy Espinheira Filho.
 De autoria de Goulart Gomes, um comentário interessante sobre As baianas: ler.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

A PRIMEIRA RESENHA





Um livro porreta


Marcelo Torres*


Já pensou reunir, num só universo, a noivinha do Cabula, a putinha da Vitória, a Bonnie dos Barris, a guerreira da Lapinha, a santinha da Ribeira e a piriguete de Ondina? Pois neste mês de fevereiro, mês de carnaval, chegou às livrarias um livro porreta, com um título que já é um convite à leitura - As baianas. Gustavo Rios, Carlos Barbosa, Mayrant Gallo, Elieser Cesar, Tom Correia e Lima Trindade fizeram uma obra  declaradamente inspirada em As cariocas, de Sérgio Porto, e pretendem mostrar outras baianas, “longe do estereótipo cristalizado pela música popular e pelos clichês das novelas de televisão”. 

Engraçado é que, no dia em que surgiu a ideia, numa mesa do bar, eram outros os títulos - “A federal da Federação”, “A ribeirinha da Ribeira”, “A encabulada do Cabula”, “A descaminhada do Caminho das Árvores”, “A marinheira dos Mares” etc. E logo de primeira este leitor, nascido no interior, vê que as baianas são de Salvador, ainda que Marina, a Bonnie dos Barris, seja uma maluquinha carioca que foi passar as férias de verão na casa dos tios na Bahia; e que Maria Quitéria, a guerreira da Lapinha, tenha nascido no bairro de Quitéria, em Feira de Santana. 

Os contos são soteropolitanos, acontecem em Salvador. “Não há nenhum [conto] com garota do interior”, também observou Carlos Barbosa, um dos autores, ele que nasceu no município de Oliveira dos Brejinhos, viveu em Ibotirama e hoje mora em Salvador. Nada, porém, que tire a riqueza desse mosaico de perfis femininos - esse tabuleiro de almas soteropolitanas - nem a beleza encantadora das histórias; histórias que, de tão vivas, sedutoras e vibrantes, parecem reais. Afinal, em Salvador, quem não conhece uma loira como a piriguete de Ondina, que move mundos e fundos para obter uma pulseirinha que dá acesso ao camarote de Daniela Mercury? E quem não conhece uma figura como Quitéria, uma negra gorda e falante, nascida no interior, empregada doméstica, vítima de abusos, exploração e preconceito? Leia mais.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

A FESTA DAS BAIANAS - III








O poeta Ruy Espinheira Filho

A escritora Mônica Menezes



O escritor Marcus Vinícius Rodrigues



Dênisson Padilha, que no próximo mês lança "Menelau e os homens"
pela Casarão do Verbo



Irena Martins e Lima Trindade

Mirdad, da Putzgrillo e da Flica


Fotos: Lalo Coutinho

A FESTA DAS BAIANAS - II

Carlos Barbosa, o autor da Putinha

Elieser Cesar, o da Guerreira

Gustavo Rios, o da Noivinha


Tina Tude posando de noivinha


A pequena Maria Cecília no colo da mãe Andréia


Tom Correia, Lima Trindade, Gláucia Lemos,
Cajazeira Ramos e Mayrant Gallo





Tom Correia, Rosana Souza, Lima Trindade e Mayrant Gallo

Fotos: Lalo Coutinho

AGRADECIMENTO

Os autores Carlos Barbosa, Elieser Cesar, Gustavo Rios, Lima Trindade, Mayrant Gallo, Tom Correia, os editores Rosel Soares e Renata Bonfim, e Gal Meirelles, a fotógrafa, agradecem igualmente à Livraria Cultura a oportunidade e a festa que foi o lançamento de "As baianas".

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

NÃO FIQUE SEM SUAS BAIANAS NO CARNAVAL...



A escolha da capa pode ser difícil, 
a gente bem sabe.

Fácil mesmo é adquirir seu exemplar:

compre "As baianas" sem sair de casa e retire em qualquer filial da Livraria Cultura.

Basta um clique


Ou dois.

A FESTA DAS BAIANAS - I




Versão PB: os autores junto a Rosel Soares e Renata Soares, editores da Casarão do Verbo. E ainda a presença da linda baianinha Maria Cecília no colo do pai, Elieser Cesar.









 Não é toda vez que se vende 110 exemplares numa noite de autógrafos, ainda mais às vésperas do Carnaval e com a cidade tentando se recuperar de uma greve tensa.

Agradecemos a todos os leitores e leitoras que compareceram e
aos que não puderam ir, mas nos enviaram mensagens carinhosas.


Aos colegas da imprensa, que deram uma força e tanto na divulgação.


A todo pessoal da Cultura, em especial Thaís e Mariana.

Obrigado também ao garçom Carlos, muito atencioso e prestativo com os escribas.

 "As baianas" estavam sendo esperadas com tanta ansiedade, que terminamos ultrapassando o horário do fechamento do shopping.


Foi uma grande celebração, não podia ser diferente.



Fotos: Rosana Souza

sábado, 11 de fevereiro de 2012

ELOGIO À BONNIE DOS BARRIS

Caro Mayrant,

Outro compromisso me impediu de abraçar-lhe e, mais do que isso, recolher o seu autógrafo. Estive hoje, pela manhã, na Cultura e, depois do almoço, comecei a despir As baianas. Primorosa, é o mínimo que posso dizer da narrativa de A Bonnie dos Barris. A história de Leo e Marina é extravagante, sedutora. A atmosfera, aliciante. Bem, aqui não dá para dizer mais. Quem sabe, em outro espaço, eu possa falar do livro, de forma mais abrangente.
Grande abraço,

José Carlos Sant'anna.

Foto: Rua General Labatut, Barris (Fonte: Skyscrapercity). Claro que a Bonnie passou por ali...

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

AS BAIANAS NO CORREIO*





O tabuleiro da baiana
Santas, piriguetes e noivas inspiram seis autores em livro de contos


Maria Clara Dultra 
vida@correio24horas.com.br


Estamos às vésperas do Carnaval e Sarita, uma loira sarada mais conhecida como a Piriguete de Ondina, já está mexendo seus pauzinhos para ganhar uma pulseira do camarote de Daniela Mercury - o mais badalado de Salvador. Este ano, parece que até Brad Pitt vai estar lá, e ela não quer perder a chance de ver o ídolo. Será que Sarita vai conseguir? Para saber, leia As Baianas (Casarão do Verbo / R$ 30/152 páginas), coletânea de contos que será lançada hoje, às 19h, na Livraria Cultura do Shopping Salvador. O texto de apresentação é do jornalista Xico Sá. Inspirados no livro As Cariocas, do escritor Sérgio Porto, os autores - Carlos Barbosa, Elieser Cesar, Gustavo Rios, Lima Trindade, Mayrant Gallo e Tom Correia - envolvem o leitor contando, cada uma seu modo, causos de seis baianas retadas: A Bonnie dos Barris, A Guerreira da Lapinha, A Santinha da Ribeira, A Putinha da Vitória, A Noivinha do Cabula e A Piriguete de Ondina. 


PIRIGUETE RICA "Quando falamos em piriguete, muita gente pensa em uma mulher da periferia", observa o escritor Lima Trindade, 46 anos, que deu vida à moça. Mas, então, o que dizer de Sarita Santos Giardini? Loira, turbinada - peito, bunda e nariz - ela é casada com Enzo Giardini, italiano rico que conheceu em uma barraca de praia em Patamares. E é amante do negão Téo Cintura Fina - um pagodeiro ricaço -, freqüenta cruzeiros para a Europa e é dona de uma coleção de roupas de grife. "É preciso fugir do senso comum. O conceito de piriguete pode ser aplicado a qualquer mulher, porque os valores morais estão mais sinuosos, e o conto trata de discutir isso", diz o autor. A intenção do livro parece ser mesmo a de desfazer mitos.


SEM ESTEREÓTIPOS Ao versar sobre a mulher baiana de hoje em dia, os autores se livram dos estereótipos historicamente a ela atribuídos - ou se valem deles com ironia. Esqueça, portanto, aquela nega do acarajé, filha de santo, subindo e descendo as ladeiras das ruas acidentadas da Cidade da Bahia, com seu tabuleiro na cabeça, olhar luminoso e sorriso largo. "Essa baiana oficial não está mais aí", avisa o jornalista e escritor Elieser César, 52 anos, idealizador da obra. "Quisemos contar as histórias de baianas de verdade -que riem, se divertem, mas também choram, sofrem, não são nem boas, nem más - e que, nesse sentido, exalam condição humana e inspiram um olhar reflexivo sobre a Salvador contemporânea", adianta Elieser. O tom com que o jornalista se debruça sobre essa Salvador atual no conto A Guerreira da Lapinha é humano e melancólico. Ao contar a história de uma baiana negra, pobre, vilipendiada pela vida, sofrida, mas guerreira, ele intuiu Maria Quitéria de Jesus, de Feira de Santana, nascida no século XVIII, heroína símbolo da Independência da Bahia. "Acredito que um bom título também rende uma boa história, e não só o contrário. Nesse caso, foi assim. Primeiro escolhi o título, depois fui desenvolvendo o enredo, explica Elieser. 


BAIANAS DA FICÇÃO Não muito longe do Largo da Lapinha, ali, nos Barris, a jovem de classe média Marina, que não é baiana, apenas veio passar o Verão na casa dos tios, se apropria do bairro para emular o comportamento de Bonnie, a famosa assaltante americana do começo do século 20. Na companhia de um Clyde baiano - ou simplesmente Léo, um moço sincero, mas apaixonado - ela comete delitos por Salvador. "Tentei fugir de um modelo de representação feminina, que ainda está muito pautado em Jorge Amado, e surgiu Bonnie, personagem da pura ficção, que só é baiana porque está na Bahia ", explica o escritor Mayrant Gallo, 50. O jornalista e escritor Carlos Barbosa, 54, que assina o conto A Putinha da Vitória, também retrata uma heroína ficcional e contemporânea. Betina, uma universitária de 20 anos, que mora com a mãe no bairro da Vitória, consegue, com mimo e sedução, exercer poder sobre um homem maduro. Na cama, gosta de ser chamada de "puta" e é prontamente atendida pelo seu amante, o jornalista Plínio Bonavides, quase vinte anos mais velho. "Não se trata de descaracterizar as baianas, apenas de não seguir um modelo estabelecido e de mostrar que, agora, elas estão fazendo história nos shoppings, nas praias, nas raves, transitando e construindo a Salvador de hoje", afirma Carlos Barbosa. Outra baiana contemporâneas dessas mocinhas é A Noivinha do Cabula. O conto narra que ela fica esperando por alguém em um ponto de ônibus, vestida de noiva. "Essa imagem sempre me pareceu poética", declara o autor da história, Gustavo Rios, 38. E, lá pras bandas da Ribeira, tem uma Santinha: Pituca. Uma Capitu baiana, imaginada pelo jornalista e escritor Tom Correia, 43. 

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

SAI PRA LÁ GREVE, ELAS CHEGARAM!

Lavagem do Bonfim, 1985: do tempo em que só se via motim em filme de pirata.

Bonnie, 

a guerreira, 

a santinha,

a piriguete,

a putinha,

e a noivinha

estarão esperando.

Vocês sabem onde.


Foto: Agliberto Lima 

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

AS BAIANAS NO CADERNO 2



     

Texto: Marcos Dias

O que é que a baiana tem? Tem vontade de ir no camarote de Daniela custe o que custar, tem. Tem desejo de matar, tem.  Tem hora que se cansa de humilhação, tem. Tem tara de ser chamada de puta, tem. Tem desejo de alimentar sua inquietude, tem. Tem memória de violência doméstica, tem. E muito mais. Dos balangandãs da baiana de Dorival Caymmi às baianas dos escritores Carlos Barbosa, Elieser Cesar, Gustavo Rios, Lima Trindade, Mayrant Gallo e Tom Correia — que  lançam o livro As Baianas sexta, às 19 horas, na Livraria Cultura — muito dendê foi fervido, a ponto de não haver traços da marqueteira baianidade nos  contos.

A ideia do projeto partiu do escritor e jornalista Elieser Cesar, que há três anos leu As Cariocas, de Sérgio Porto, e, tomado pelo escriptível da obra — o fato de poder ser continuadamente escrita pelo leitor —, acreditou que poderia, com outros escritores, oferecer um mosaico da mulher nascida na Bahia sem as imagens-feitas do imaginário brasileiro. Autor do conto A Guerreira da Lapinha, Cesar diz que os escritores convidados partiram de títulos criados por todos e, à maneira de Porto, as personagens foram vinculadas a um bairro, dando origem a narrativas como A Noivinha do Cabula (de Rios), A Putinha da Vitória (de Barbosa) ou A Bonnie dos Barris (Gallo).

Também foi um desafio, de acordo com o idealizador, os seis autores colocarem-se no papel de mulheres, mas garante não se tratar de um “clube do bolinha”, nem oportunismo em relação à série As Brasileiras (exibida atualmente na TV Globo), nem As Cariocas, de 2010, já que a ideia foi concebida antes. Leia mais.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

O LUGAR DO AUTOR: GUSTAVO E O CABULA

Os conjuntos do Resgate, habitat natural do autor da Noivinha

Todos os meus sonhos tiveram dois cenários fundamentais: Juazeiro da Bahia e o Cabula. Do primeiro, posso falar nada. Ainda. A coisa ainda fermenta em minha cabeça e no espírito. Algo com um romance onde algo daquela cidade (que me parece agora numa decadência fodida, sendo salva pelos seus adoráveis habitantes, como sempre) justifique tudo que fiz até hoje. O Cabula, precisamente o que hoje é chamado de Nossa Senhora do Resgate, foi onde nasci. De fato. Os prédios, ruas, quarteirões; as beatinhas (que tentavam sem sucesso atrapalhar nossas vidas, e regavam plantas já mortas); os brutos que por vezes ameaçavam caras como eu, mas que muito me ensinaram sobre a nobre arte de sobreviver, recuar e reagir; as garotas diabólicas, deliciosamente dispostas quando as noites de sexta ferviam. Apesar de não morar mais lá (quando entregamos nossas vidas aos filhos as coisas tendem a mudar radicalmente), ainda percebo a eletricidade. Toda vez que vou visitar os velhos e mostrar aos meus um pouco do que serei pelo resto dos meus dias. (Gustavo Rios)


Foto: http://marcusdayana.blogspot.com