terça-feira, 24 de janeiro de 2012

A ORELHA DO XICO



Você já foi à Bahia, nego(a)? Eu já fui muitas vezes, para fins profissionais ou fins dorivais de pura vadiagem. Nenhuma visita, porém, foi tão afetiva e esclarecedora como a que fiz ao ler este “As Baianas”.

Isso é que é viagem.

Além dos sabores e dos cheiros de Salvador, com o dendê fervendo nos cinco sentidos, o modus-operandi da baianidade tem aqui uma aula. Tanto na prosódia como na crônica dos costumes. E sem ranço algum da solenidade didática.

A saga da pobre e desalmada Sarita para conseguir uma pulseirinha de entrada no camarote de Daniela Mercury é exemplar. Bela história do carnaval da Bahia. Quer dizer, novelinha quase burlesca dos bons e maus costumes baianos, como adverte Lima Trindade, o autor, na cumeeira da narrativa.

Deu dó da piriguete. Piriguete é sempre mais gente, digo, intensa e shakespereana,  do que qualquer uma outra mulher supostamente chique ou grã-fina. Seja grega ou seja baiana. Se for de Ondina, então, como é o caso do nosso episódio, virgem!

A Bonnie dos Barris também não fica atrás. Poderosa como a do filme em que faz dupla com o seu Clyde. Mayrant Gallo azeitou com gosto a menina.

Ao ler “A guerreira da Lapinha” , a viagem é histórica, com feições épicas da parada do 2 de Julho. Arte de Elieser César, palmas!

O tabuleiro é completo em matéria de sortimento e variedade de fêmeas excepcionais. Se tem periguete e heroína, não poderia faltar “A santinha da Ribeira”, que vem no altar do Tom Correia.

Na contramão do Corredor da Vitória e de toda a santidade do pau-oco de uma certa gente fina, chega a putinha da área nobre. Uma putinha hamletiana cujo pouco juízo sempre a deixa entre a mercadoria e o fetiche da sacanagem. Quem conta o conto  é Carlos Barbosa.

Ao fazer um drama declaradamente em memória do Sr. Nelson Falcão Rodrigues, Gustavo Rios encarna mesmo o autor de “Vestido de Noiva” com a sua noivinha do Cabula. Bela homenagem com as cores baianas.

E você aí, amigo(a), o que está esperando. Conheça logo aí dentro essas mulheres extraordinárias. Se for homem vai se iludir, desejá-las; se mulher, vai querer estar na pele de algumas delas. Putas ou santas.

Xico Sá

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