terça-feira, 31 de janeiro de 2012

A NOIVINHA DE GUSTAVO

Gustavo Rios e sua produção de cigarros. Pedidos via e-mail.

Algo a ver com Fellini e domingos de tédio. Ou com trechos do Cortázar. Nem sei como, mas o fato é que a imagem de uma noiva prostrada num ponto de ônibus do Cabula – bairro onde cresci, nasci (não me importa o que dizem os documentos), me formei e me reconheci de fato – existia em minha mente há tempos. Anos talvez. Nunca precisei dela para nada. Nenhum conto, texto, poema. Em meu livro de contos, O amor é uma coisa feia estranhamente não a usei. Depois do convite para As Baianas, percebi que era chegada a hora. Depois de semanas lutando para dar corpo ao texto; depois de uma dezena de rascunhos mal sucedidos, surgiu o que deu substância e volume ao que eu realmente queria. Com as opiniões fundamentais de figuras como Lupeu Lacerda (que ergueu o texto a um patamar absurdamente brutal)  e Sidney Rocha (que me ajudou a arrumar a casa, até então uma bagunça). A homenagem ao Nelson Rodrigues veio no calor da hora. Apesar de não conhecer quase nada da obra do Sr. Nelson, imaginei a figura dele a ler o conto. E talvez desprezando meu trabalho. Não me inspirei nele para criar o texto. Muito menos na versão “carioca” – até hoje, não terminei de ler As cariocas. Apenas uma brincadeira, um sarro com sua figura dura e marcante. [Gustavo Rios]


Foto: Tom Correia  

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