quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

UMA ATA ETÍLICA

Ata-me: a receita de Lima para um relatório à base de cerveja. 
(Ao lado, o escritor Marcelo Benvenutti)


Prezados confrades,

Transcrevo a ata de reunião extraordinária realizada há poucos minutos.

Eu, Lima Trindade, e Elieser Cesar, membros deste ilustre clube baianístico de hombres a retratar a vida prazerosa e trágica do segundo sexo nascido e desfrutado na formosa capital que ora nos reclama a verve, reunimo-nos hoje, sexta-feira [1º de outubro de 2010], princípio de tarde, para tomar uns gorós no mais recatado e ilustre símbolo da boemia soteropolitana desde hoje e para todo o sempre, o PANTERA (ainda que pese o requerimento - indeferido, evidentemente - do Líder, para ser alteado ao mesmo patamar de fidalguia e distinção nobiliárquica). 

Pois bem, o fato é que a cerveja estava geladíssima e o calor estrondoso. Não obstante, o humilde escriba tomou conhecimento que a obra de arte exposta na parede do fundo do estabelecimento, onde aparece representada uma lânguida musa trajada de maiô de oncinha e ostentando firmemente os grilhões de uma "verdadeira" onça pintada aos seus pés, era parte de um vitral de um rico bordel francês do Século XVIII, que, após a onda de perseguição de Igreja Católica, quando seus donos e muitos de seus frequentadores foram condenados à fogueira pela Inquisição, foi  QUASE inteiramente destruído, restando exclusivamente a parte de que temos conhecimento hoje. [Leiam mais, vale a pena]



Apesar da áurea de pureza do fragmento, a peça foi parte de algumas coleções eróticas e pornográficas de burgueses degenerados, tendo sido roubada no princípio do Séc. XX e traficada por um judeu novo em troca de uma noite de amor com uma renomada prostituta da taberna Âncora do Marujo, inferninho sujo e malsão. Após a morte da puta, seus filhos se sentiram enormemente envergonhados de ficar com aquele espólio, de modo que o levaram para a Feira de São Joaquim e o venderam para OSSEM, amigo de Elieser e mecenas de copos de alumínios com brasão tricolor doados ao digníssimo PANTERA. Depois de manter o fragmento do vitral em sua residência e a atual mulher demonstrar um ciúme quase letal, o quadro foi doado como pedra fundamental e insigne máxima ao nosso querido e amado PANTERA. Conhecedores desses fatos e de outros que ignoramos, comunicamos que:

O prazo para entrega das novelas passou a não mais existir. Assim que cada escritor der (ops!) por terminado seu trabalho, basta que o comunique por e-mail. Quando o último terminar, reuniremo-nos no PANTERA para celebrar e beber e admirar o vitral da onça pintada.

Sem mais,

Lima

PS - Sejam tolerantes com a embriaguês [sic] alheia.

Um comentário:

editor disse...

Que textáculo, Lima Trindade! Apreciei sem moderação!
Abraços,
rosel