terça-feira, 31 de janeiro de 2012

SINCERAMENTE...

A PENA CRÍTICA DO CRÍTICO: Sinceramente, o que você acha do seu conto?

TOM CORREIA: Foi um sonho, foi uma dureza, mas acredito que no futuro não vou me arrepender por assinar A santinha da Ribeira.

ELIESER CESAR: A Guerreira da Lapinha tem um fundo histórico, óbvio; e um pano de fundo atual: alguns políticos citados, que o tempo se encarregará de levar ao esquecimento. Há uma misto de reportagem, crônica de costumes e história policial. Fiz a aposta devido ao tema. Creio que a  Quitéria do livro não sobreviverá à sua homônima histórica, mas está em marcha, talvez para o esquecimento. Quiçá, para ser lembrada. De qualquer forma foi muito divertido criar essa minha negona.

MAYRANT GALLO: Eu não gostaria de me encontrar com a A Bonnie dos Barris...

CARLOS BARBOSA: Sinceramente, A putinha da Vitória é um conto de que gosto muito. Tem a minha assinatura. Exatamente por ter vindo de viés, em diagonais imprevistas. Escrito para a coletânea, mas sem obedecer a regra alguma - minhas heroínas têm sido baianas totais, nada de novo. Um conto que se escreveu diverso do que pensei ou minimamente planejei, como felizmente tem acontecido em minha literatura, que fluiu gostoso após muito sofrimento. É com satisfação que incorporo essa "putinha" ao lado de Daura e Liana, uma garota prenhe de contemporaneidade, de força e liberdade, e de um imenso desejo de busca. O mais, só lendo.

LIMA TRINDADE: A piriguete de Ondina é uma das histórias mais divertidas que já escrevi. Divertida, mas nada inocente.

GUSTAVO RIOS: A Noivinha do Cabula foi um pequeno cataclismo.

Foto: Paulo Francis (1930-1997), que foi ótimo jornalista, ótimo crítico e ótimo escritor. Autor do Filhas do segundo sexo, que reúne duas ótimas novelas: Mimi vai à guerra e Clara, clarimunda.

As baianas já estão no Skoob.

A NOIVINHA DE GUSTAVO

Gustavo Rios e sua produção de cigarros. Pedidos via e-mail.

Algo a ver com Fellini e domingos de tédio. Ou com trechos do Cortázar. Nem sei como, mas o fato é que a imagem de uma noiva prostrada num ponto de ônibus do Cabula – bairro onde cresci, nasci (não me importa o que dizem os documentos), me formei e me reconheci de fato – existia em minha mente há tempos. Anos talvez. Nunca precisei dela para nada. Nenhum conto, texto, poema. Em meu livro de contos, O amor é uma coisa feia estranhamente não a usei. Depois do convite para As Baianas, percebi que era chegada a hora. Depois de semanas lutando para dar corpo ao texto; depois de uma dezena de rascunhos mal sucedidos, surgiu o que deu substância e volume ao que eu realmente queria. Com as opiniões fundamentais de figuras como Lupeu Lacerda (que ergueu o texto a um patamar absurdamente brutal)  e Sidney Rocha (que me ajudou a arrumar a casa, até então uma bagunça). A homenagem ao Nelson Rodrigues veio no calor da hora. Apesar de não conhecer quase nada da obra do Sr. Nelson, imaginei a figura dele a ler o conto. E talvez desprezando meu trabalho. Não me inspirei nele para criar o texto. Muito menos na versão “carioca” – até hoje, não terminei de ler As cariocas. Apenas uma brincadeira, um sarro com sua figura dura e marcante. [Gustavo Rios]


Foto: Tom Correia  

QUANDO SIMENON VISITOU O LÍDER


George Simenon por David Levine

Da mesa do bar enxergava-se a rua. Fosse o céu menos chumbo e a tarde aplacaria as angústias dos passantes. Tudo se revestia com cores fugidias, pressa, desassossego. Itamar era o melhor garçom do estabelecimento. As garrafas desciam generosas em seus véus-de-noiva e encorpavam os copos com os sonhos, as ambições e os infortúnios da vida. O alarido abafaria o primeiro estampido? O grupo margeava a távola e os fantasmas de Dorothy Parker e Grouxo Marx nos rondavam como se estivéssemos no Algonquin. Tom olhou o grande e retangular espelho que estava à frente dele, destinado a iludir os clientes com a falsa noção de amplidão. Ele olhou e viu ali refletido uma senhora muito distinta. Vestia um chapéu de feltro com longas abas redondas. O vestido era recoberto por inúmeros colares de variadas pedras. Os braços ornamentados por dezenas de pulseiras. Os cabelos eram brancos e, apesar de denotar uma idade avançada, os olhos se apresentavam incrivelmente nus, despudorados. A velha passou por entre as mesas e ganhou as calçadas do Dois de Julho. Percebi o olhar intrigado de Tom e comentei, que figura! Sorrimos. Barbosa propôs um brinde. Eu, Tom, Elieser e Gustavo levantamos os copos. Muita sede tinha o Gallo, mas Itamar logo apareceu e igualou o nível de nosso ânimo. Brindamos os seis. [Nem pense em parar de ler aqui...]

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

OUTRAS BAIANAS

Baianas candidatas à Rainha do Carnaval 2012. (Foto: Sineia Coelho.)

Nos Barris, uma jovem de classe média emula o comportamento de Bonnie, a assaltante norte-americana retratada no filme Bonnie e Clyde, uma rajada de balas, do cineasta Arthur Penn e, em companhia de um rapaz ingênuo, saí cometendo uma série de crimes. Na Lapinha, uma negra com o mesmo nome da heroína da Independência da Bahia se veste de Maria Quitéria para desfilar no Dois de Julho. Na Ribeira, uma jovem é seduzida pelo pai de um rapaz com quem vivera. Em Ondina, uma dondoca é capaz de tudo para obter uma pulseira que dá acesso ao mais badalado camarote do Carnaval da Bahia. Na Vitória, uma moça voluntariosa precipita a desgraça de um homem maduro. No Cabula, uma filha mantém uma relação incestuosa com pai.

A continuação da matéria está no Bahia 247.

Mais "As baianas" em A tarde.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

EM PRIMEIRA MÃO NA "MUITO"


Em janeiro do ano passado, o projeto d'As Baianas foi anunciado pela Revista Muito, do Jornal A Tarde. De um ano pra cá, muita coisa aconteceu. Definição das capas, produção de fotos dos autores, revisão dos contos e eis que o livro tomou forma. Vamos aguardar a receptividade dos leitores. Nos veremos no dia 10, às 19h, na Livraria Cultura, Shopping Salvador.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

GUERREIRA, O ARDOR DA VIDA


Quando decidimos fazer As baianas, não tinha a menor ideia do que iria escrever, a não ser que seria a história de uma mulher de Salvador.  Acredito, inclusive, que os outros cinco escritores intuíram a trama, após a escolha dos nomes. Não posso garantir. É apenas intuição. Sentamos, eu, Mayrant Gallo, Gustavo Rios, Lima Trindade, Carlos Barbosa e Tom Correia, no Bar e Restaurante Líder, no Largo Dois de Julho (olha a coincidência inconsciente), sem liderança nenhuma que não fosse a gênese das histórias. Então, sapecamos nomes, como: A Federal da Federação, A Ribeirinha da Ribeira, A Encabulada do Cabula, A Descaminhada do Caminho das Árvores e A Marinheira dos Mares. E Por aí. Títulos que não vingaram, mas nos encaminharam a cada trama subsequente. Escolhi  A Guerreira da Lapinha e logo visualizei a personagem. Faltava o mais difícil: escrever. Mas já tinha minha Maria Quitéria no Dois de Julho. Em seguida, optei por uma estrutura, digamos, andarilha. Pequenos episódios de uma vida pequena em trechos estratégicos do cortejo. Queria minha cidade presente, por mais descuidada que esteja; minha gente visível, por mais manipulada que seja. Então foi isso! Sempre acreditei que um título é um bom começo, embora, às vezes a gente só o descubra no meio ou, até mesmo, no fim  da história. Temos baianas. Aguardem-nas! Sem pimenta, mas com o ardor da vida. (Elieser Cesar)

Foto: Elieser Cesar e duas amigas, baianas genuínas.

COISAS DA PUTINHA


Cheguei atrasado pra reunião no Líder. Um engarrafamento no Rio Vermelho me surpreendeu em plena manhã de sábado. Faltava decidir o título do meu conto. Havia lá uma porção deles. "Não há nenhum com garota do interior...", comentei, já imaginando uma nova Daura. Mas não era essa a linha do livro, soube então. Daí, enquanto lia e relia os títulos, explodiu em minha mente "A putinha da Vitória". Pensei que seria moleza escrever o conto a partir de um outro já escrito. Não foi assim, como sói acontecer nas narrativas de ficção. Semanas se acotovelaram no tampo da escrivaninha, e não acontecia nada com a "putinha". Pensei em desistir. Tom Correia me ajudou muito com o atraso dele; o Elieser também deu uma força com o périplo da "guerreira". Eis que de repente surgiu um novo narrador que, desprezando o texto já posto, começou a contar uma nova história. E a história possuía a cara da Vitória, o bairro. O conto se fez em poucos dias e eu fui um dos primeiros a descarregar na caixa postal do Mayrant a minha contribuição. No mais, posso dizer que "A putinha da Vitória" não aprecia ser chamada de "putinha"; ela é superlativa. Espero que goz... ops, gostem.


(Carlos Barbosa, em foto de Victor Seabra)

UMA ATA ETÍLICA

Ata-me: a receita de Lima para um relatório à base de cerveja. 
(Ao lado, o escritor Marcelo Benvenutti)


Prezados confrades,

Transcrevo a ata de reunião extraordinária realizada há poucos minutos.

Eu, Lima Trindade, e Elieser Cesar, membros deste ilustre clube baianístico de hombres a retratar a vida prazerosa e trágica do segundo sexo nascido e desfrutado na formosa capital que ora nos reclama a verve, reunimo-nos hoje, sexta-feira [1º de outubro de 2010], princípio de tarde, para tomar uns gorós no mais recatado e ilustre símbolo da boemia soteropolitana desde hoje e para todo o sempre, o PANTERA (ainda que pese o requerimento - indeferido, evidentemente - do Líder, para ser alteado ao mesmo patamar de fidalguia e distinção nobiliárquica). 

Pois bem, o fato é que a cerveja estava geladíssima e o calor estrondoso. Não obstante, o humilde escriba tomou conhecimento que a obra de arte exposta na parede do fundo do estabelecimento, onde aparece representada uma lânguida musa trajada de maiô de oncinha e ostentando firmemente os grilhões de uma "verdadeira" onça pintada aos seus pés, era parte de um vitral de um rico bordel francês do Século XVIII, que, após a onda de perseguição de Igreja Católica, quando seus donos e muitos de seus frequentadores foram condenados à fogueira pela Inquisição, foi  QUASE inteiramente destruído, restando exclusivamente a parte de que temos conhecimento hoje. [Leiam mais, vale a pena]

GÊNESE: A BONNIE DOS BARRIS

“Foi fácil ― e não foi ― escrever A Bonnie dos Barris. Minha primeira ideia se manteve e ao mesmo tempo se modificou. Inicialmente, o conto intitulava-se A espevitada dos Barris, e a inspiração me veio de uma garota que zanzava na Junqueira Ayres da manhã à noite, no verão de 2010. Eu passava, e ela sempre estava na rua ou no portão do prédio onde morava ou numa das lojas, na lanchonete ou simplesmente subindo ou descendo a ladeira. Mais uma coisa é a vida, outra é a ficção. Quando comecei a escrever, a garota desapareceu, e surgiu a Bonnie, meio barra pesada, bonita, sedutora, fascinada por cinema e inclinada a viver perigosamente. O conto sofreu várias revisões, especialmente porque adotei um método de estruturação análogo à técnica de corte cinematográfico e coerente com a personagem ― e, assim, mesmo ao apagar das luzes, com o arquivo da edição às vésperas de ir para a gráfica, fiz duas ou três mudanças. Diferentemente de outros contos meus, o desfecho deste já estava elaborado em minha cabeça desde os primeiros parágrafos: o que fiz foi imaginar e dirigir as cenas, de modo a alcançar o efeito final.” (Mayrant Gallo)

Foto: o autor na extinta Livraria LDM, por Gal Meirelles.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

OS INÍCIOS DE CADA CONTO

“Ela chegou para passar o verão e, como um dardo incandescente, aninhou-se em seu peito. Ele pensou que fosse magia ou sonho, mas era amor: uma palavra que em muitos idiomas tem só duas sílabas; noutros, três: triângulo.”

“Quitéria se vestiu como a heroína da história para desfilar no Dois de Julho. Acordou cedo, tomou café requentado com um resto de biscoitos amolecidos pelo mofo do velho armário, pôs um vestido verde com bordado amarelo à altura dos joelhos, uma calça amarela e um capacete de papelão, verde com um penacho amarelo.”

“Abri a porta, ajeitei as coisas em cima da mesa e liguei a tevê. Coloquei a comida de Rebeca, mas ela não parecia animada. Já havia notado que emagrecera. Troquei de ração várias vezes, sem resultado. Talvez estivesse grávida.”

“Apreensão. Alta voltagem. Sarita, debruçada no parapeito da sacada do Othon, aguarda seu negão. Promessa é dívida. Faltam apenas dois dias para o começo da folia. Ela nunca esteve no camarote de Daniela.”

“Não permaneci mais que cinco minutos no hotel, depois de chegar do Campo Santo. Era um dia vestido de saudades vivas, como na antiga canção. Um dia que pedia passos à memória, assovios em suas esquinas.”

“Vestia o branco reservado às noivas, branco que se refletia nas pegajosas retinas dos vizinhos. E aquele vestido roto ainda cheirava a naftalina e coisas mortas. Morto, sobre a cama de lençóis alvos.”

Da esquerda para a direita: Tom Correia, Gustavo Rios, Elieser Cesar, Mayrant Gallo, Carlos Barbosa e Lima Trindade, no Museu Rodin, Salvador, BA, para sessão de fotos, a pedido da Casarão do Verbo. A foto, claro, é de Gal Meirelles, fotógrafa oficial da turma.

O primeiro leitor que adivinhar, pelo estilo, de quem é cada texto vai ganhar um exemplar do livro, que será enviado pelos Correios, sem custos.

OS BASTIDORES DA SANTINHA

Tom Correia numa esquina do mundo.

Foi numa dessas manhãs de sábado no velho Líder, onde a turma se encontra com frequência pra jogar conversa fora. Fiquei muito feliz por ter meu nome lembrado pra participar de uma coletânea, ainda mais ao lado de importantes escribas. Lima me emprestou “As cariocas” (já devolvi?) pra me ambientar com a ideia, mas óbvio que um prazo foi estabelecido, algo como dois ou três meses, não sei mais ao certo. O pano de fundo a ser usado era naturalmente a Península de Itapagipe, onde nasci, mas isso foi o mais fácil de definir. Enredado a outras atividades urgentes, sem o método e o rigor que os preconceituosos julgam indispensáveis, comecei a desenvolver uma narrativa sem sal, que logo abandonaria. Sob a pressão do tempo – todos os meus amigos já haviam finalizado seus contos –, cheguei a pensar em desistir, mas Lima e Mayrant me salvaram. Atrasadíssimo, enviei a história, que após os últimos ajustes ainda terminaria suscitando acaloradas e divertidas discussões em pleno saguão do Aeroporto 2 de Julho. “Afinal, a santinha deveria aparecer mais ou não?”, fiquei sabendo depois. No fundo, sempre desejei participar de uma coletânea. Um sonho que por muito tempo julguei inatingível. [Tom Correia]

Foto: Rosana Souza 

A OUTRA CAPA

A Casarão do Verbo apostou tanto neste projeto que surpreendeu a todos ao publicar duas versões de capa para "As baianas". Melhor para o leitor, que poderá escolher entre uma versão colorida e uma em preto e branco, mais noire.

OS BAIANOS


De cima para baixo:

Gustavo Rios, Lima Trindade e Elieser Cesar (em primeiro plano).

Mayrant Gallo, Carlos Barbosa e Tom Correia.


Foto: Gal Meirelles.

A ORELHA DO XICO



Você já foi à Bahia, nego(a)? Eu já fui muitas vezes, para fins profissionais ou fins dorivais de pura vadiagem. Nenhuma visita, porém, foi tão afetiva e esclarecedora como a que fiz ao ler este “As Baianas”.

Isso é que é viagem.

Além dos sabores e dos cheiros de Salvador, com o dendê fervendo nos cinco sentidos, o modus-operandi da baianidade tem aqui uma aula. Tanto na prosódia como na crônica dos costumes. E sem ranço algum da solenidade didática.

A saga da pobre e desalmada Sarita para conseguir uma pulseirinha de entrada no camarote de Daniela Mercury é exemplar. Bela história do carnaval da Bahia. Quer dizer, novelinha quase burlesca dos bons e maus costumes baianos, como adverte Lima Trindade, o autor, na cumeeira da narrativa.

Deu dó da piriguete. Piriguete é sempre mais gente, digo, intensa e shakespereana,  do que qualquer uma outra mulher supostamente chique ou grã-fina. Seja grega ou seja baiana. Se for de Ondina, então, como é o caso do nosso episódio, virgem!

A Bonnie dos Barris também não fica atrás. Poderosa como a do filme em que faz dupla com o seu Clyde. Mayrant Gallo azeitou com gosto a menina.

Ao ler “A guerreira da Lapinha” , a viagem é histórica, com feições épicas da parada do 2 de Julho. Arte de Elieser César, palmas!

O tabuleiro é completo em matéria de sortimento e variedade de fêmeas excepcionais. Se tem periguete e heroína, não poderia faltar “A santinha da Ribeira”, que vem no altar do Tom Correia.

Na contramão do Corredor da Vitória e de toda a santidade do pau-oco de uma certa gente fina, chega a putinha da área nobre. Uma putinha hamletiana cujo pouco juízo sempre a deixa entre a mercadoria e o fetiche da sacanagem. Quem conta o conto  é Carlos Barbosa.

Ao fazer um drama declaradamente em memória do Sr. Nelson Falcão Rodrigues, Gustavo Rios encarna mesmo o autor de “Vestido de Noiva” com a sua noivinha do Cabula. Bela homenagem com as cores baianas.

E você aí, amigo(a), o que está esperando. Conheça logo aí dentro essas mulheres extraordinárias. Se for homem vai se iludir, desejá-las; se mulher, vai querer estar na pele de algumas delas. Putas ou santas.

Xico Sá

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

SEIS BAIANAS, SEIS HISTÓRIAS

Com o lançamento de ”As baianas” (Casarão do verbo, 2012), seis escritores envolvem o leitor com histórias que apresentam vigorosas personagens femininas, oriundas de seis bairros soteropolitanos: Barris, Cabula, Vitória, Lapinha, Ribeira e Ondina.

O projeto, inspirado no célebre livro de Sérgio Porto, “As cariocas”, passa longe de uma simples reverência ao famoso cronista e escritor. São seis olhares distintos sobre cenários e personagens igualmente peculiares, e com a dicção e o estilo de seus autores, bem diferentes entre si e ainda mais de Sérgio Porto. Não podia ser diferente, afinal de contas quase meio século separa um livro do outro, e como disse Camões: mudam-se os tempos, mudam-se as vontades. Se o leitor não é o mesmo de duas gerações atrás, também os livros tiveram que se adaptar aos novos tempos.

Em "As baianas", a mulher baiana comparece sem apelos de caricatura e estereótipo. Antes de tudo, são mulheres diversas. E esta diversidade escapa dos relatos e alcança a capa, em duas versões, para o leitor escolher a que está mais de acordo com a sua expectativa e a sua vontade.

Integram o volume: Carlos Barbosa (A putinha da Vitória), Elieser Cesar (A guerreira da Lapinha), Gustavo Rios (A noivinha do Cabula), Lima Trindade (A piriguete de Ondina), Mayrant Gallo (A Bonnie dos Barris) e Tom Correia (A santinha da Ribeira). 152 páginas de puro deleite e literatura! Uma variedade de enredos e ângulos, dos quais emerge uma Salvador extremamente contemporânea, urbana e repleta de singularidade, sob o olhar de seis escritores seduzidos por suas personagens.

A orelha é do jornalista Xico Sá, e o posfácio ficou a cargo do escritor e presidente da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa. O volume inclui ainda um breve ensaio fotográfico em P&B, assinado por Gal Meirelles. São seis imagens, cada uma abrindo um dos contos.

LANÇAMENTO
As baianas
10 de fevereiro (sexta-feira), 19h
Livraria Cultura (Shopping Salvador)